100 ANOS JUNTOS: RENOVANDO SEMPRE!

Os nomes dos estabelecimentos comerciais começavam por Casa porque, de fato, eles eram também as residências das famílias dos proprietários. Residiam nos fundos e, na face voltada para rua, vendiam seus produtos ou serviços. Ou então habitavam a parte superior dos sobrados e no térreo mantinham suas lojas.

Pela importância dos serviços prestados à comunidade, as "casas comerciais" também passaram a ser extensão familiar dos consumidores, dos fregueses, depois chamados de clientes. Junto com a relação comercial, vem a relação afetiva. Não por outro motivo, os sorocabanos guardam saudosas lembranças das famílias e das fachadas dos estabelecimentos comerciais que marcaram suas vidas.  Trazem na memória os donos, o que a loja vendia e os atendentes, a imagem física das instalações no mapa da paisagem urbana.

Pode-se dizer também que a Associação Comercial de Sorocaba é a casa do comerciante, do empresário, do prestador de serviços e do empreendedor, pelas atividades prestadas ao longo dos 100 anos de vida da entidade, história contada em detalhes no livro comemorativo dessas 10 décadas ininterruptas.

Dá até para fazer uma sequência temporal das denominações comerciais básicas: Venda, empório, armazém, casa de secos e molhados, mercearia, mercadinho, mercado, supermercado, rede, galeria, auto-service, loja de departamentos, hipermercado, megaloja, centro de compras, shopping center, outlet, atacarejo, loja virtual, entre outros.

Fundada em 20 de janeiro de 1922, ano do Centenário da Independência do Brasil, a então ACIS – Associação Comercial e Industrial de Sorocaba refletia muito bem as duas faces da moeda da atividade econômica predominante no município: O comércio como a face mais visível da produção industrial, da sustentabilidade da circulação dos produtos na distribuição do atacado para o varejo, garantindo a rede dos consumidores e criando laços duradouros de negócios confiáveis.

Comprar é essencial, negociar faz parte da natureza como forma de sobrevivência. Mas é também um uso e costume de prazer, de lazer, interesses que, economicamente, garantem empregos, renda, tributos, riqueza que sustenta a vida, o progresso, o bem-estar físico e mental.  Não dá para imaginar uma cidade sem o comércio, sem o fervor das promoções e campanhas. Comércio bem abastecido, com prateleiras e gôndolas com diversidade de produtos e preços concorrentes, é marca de atividade econômica sadia, símbolo civilizatório de prosperidade.

Felizmente, Sorocaba, ao longo do tempo, tem sabido equilibrar os crescimentos simultâneos e inovadores da sua indústria e comércio, prática geradora de estabilidade econômica e de matrizes de desenvolvimento contínuo.

A Associação Comercial surgiu numa época em que as principais lideranças locais ocupavam cargos em quase todas as instituições e entidades do município.

Nascida no Gabinete de Leitura Sorocabano, a ACIS tinha expectativa de durar apenas 50 anos. Superou-se!

Chega ao centenário como a entidade de classe de data mais antiga ainda em atividade na cidade. Quando completou 25 anos, adquiriu sua sede própria na Rua da Penha. Aos 70 anos, em sinal de solidez, construía no local um moderno prédio. E, aos 100 anos, é uma das associações de maior credibilidade não só em Sorocaba, mas na região e no Estado, com espaço e influência para crescer ainda mais, sintonizada com os novos tempos.

A sede no centro de Sorocaba, soma-se ao posto de atendimento na Zona Norte, e a Subsede Distrital em Votorantim. Mantém ainda, como reserva patrimonial, um terreno na Rua Padre Luiz, próximo da Catedral, espaço para futuras ampliações de serviços.

Em relação a fundação da entidade, Sorocaba ainda não tinha 30 mil habitantes. Hoje são 700 mil. A cidade tornou-se sede de Região Metropolitana, centro de influência múltipla, colada à Macro Metrópole de São Paulo, integrante da futura megalópoles que se implantará nesse triângulo de expansão urbana e de negócios que vai integrar a Capital, a Grande Campinas, Jundiaí e a região de influência crescente.

Nesse centenário de existência, a Associação Comercial viu o município ter o seu território reduzido, com a emancipação de Araçoiaba da Serra (Campo Largo), Salto de Pirapora e Votorantim. Mas, em compensação, cresceu na horizontal e na vertical, ganhando os contornos de uma cidade maior que diversas capitais de estados brasileiros, inclusive, em arrecadação. Viu os corredores residenciais e comerciais saírem do "umbigo do centro histórico" em todas as direções, incluindo na direção do Distrito Industrial no Éden.

Em 1922, a Associação Comercial testemunhou a queda do comércio tropeirista, quando a cidade já respirava novos tempos com a expansão da Estrada de Ferro Sorocabana, a chegada do ciclo da laranja, a imigração de várias etnias e a época de ouro das indústrias têxteis. Registrou também o declínio dessas fases, sem que a economia do município perdesse o seu ritmo, porque Sorocaba sempre se reinventou e acumulou experiências na busca de soluções para a vocação de crescimento.

A entidade que representa os comerciantes viu a chegada dos bondes elétricos e o seu fim, com o advento dos ônibus, hoje mantidos com a versão BRT. Acompanhou o nascer da Rodovia Raposo Tavares, que passava por dentro da cidade, registrou o seu desvio para fora dela e depois novamente vivenciou a rodovia cortando a mancha urbana na expansão que deu origem à Zona Sul.

Registrou a chegada da Rodovia Castello Branco e do seu acesso à cidade, a Rodovia José Ermírio de Moraes (a Castelinho).  Testemunhou e se envolveu na vinda das faculdades de Medicina, Filosofia, Direito e nos cursos técnicos, entre tantos outros sinais de modernidade.

Como entidade presente e envolvida nos desafios da cidade, a Associação Comercial se fez presente em todas os importantes movimentos comunitários de destaque e nas ações de políticas públicas da Prefeitura, na busca da expansão industrial, na modernização do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado, fatores fundamentais para a expansão comercial.

  Acompanhou os percalços da Revolução de 30, da Revolução de 32, da Segunda Guerra Mundial e do Golpe de 1964. Enfrentou, junto com os comerciantes a, pelo menos, 6 planos econômicos, antes de chegada do Plano Real, que transformaram o Brasil no país, provavelmente naquele com mais planos de busca de estabilização monetária: Cruzado 1, Cruzado 2, Plano Bresser, Plano Verão, Plano Collor 1 e Plano Collor 2. Sobreviveu a crises econômicas, congelamento de preços, tabelas, conversores, gatilhos, inflação...E resistiu, a serviço da atividade comercial, a todos os desafios impostos pelas mudanças de moeda: Réis (até 1942), Cruzeiro (1942 – 1967), Cruzeiro Novo (1967 – 1970), Cruzeiro (1970 – 1986), Cruzado (1986 – 1989), Cruzado Novo (1989 – 1990), Cruzeiro (1990 – 1993), Cruzeiro Real (1993 – 1994), quando foi criado o Real que até persiste.

Ao longo de 100 anos, passou pela experiência das diversas formas de negociação, de pagamento e do crediário mais seguro: À vista, fiado, pendurado, picado, na caderneta, cheque, boleto, cartão de débito, cartão de crédito, débito em conta, PIX, entre outros sistemas usados nas operações de compra e venda.

Seguiu o ritmo da evolução dos recursos tecnológicos  disponíveis para o registro, controle e comunicação para o seu público: Escrita à mão com caneta tinteiro, carimbo, máquina de escrever,  mimeógrafo, chanceladora de chapinhas com os nomes dos associados, telefone comum, telefone automático, central telefônica, computador básico de primeira geração, computador de segunda geração, computadores com procedimentos em chips, aparelhos com circuitos integrados, softwares avançados, operações  inteligentes, e-commerce, integração da Internet a serviço  dos comerciantes, dos clientes e da economia do país.

Foi fator decisivo na evolução contínua da integração de apoios logísticos, especialmente o Serviço de Proteção ao Crédito. Este evoluiu da anotação em fichas, tentativas de cobrança a domicílio mais ostensiva, o registro básico do "nada consta" e "negativado", até a integração regional, estadual e nacional, com banco de dados de acesso instantâneo à disposição do comércio. A evolução dos serviços incluiu trabalho de recuperação de crédito, valorização do cheque, como formas de criar estímulos a comerciantes e clientes.

  Sem vinculação religiosa, sem estar a serviço de partidos ou da política, a Associação Comercial, no entanto, sempre tomou partido em defesa de Sorocaba, de seus valores e dos interesses maiores da atividade comercial e empresarial, numa convivência plural com outras instituições e entidades na união de esforços. Em sua sede, aconteceram e acontecem reuniões de interesse da comunidade, muitos prefeitos ali estiveram para discutir assuntos pertinentes ao comércio e da economia do município. Nas instalações da centenária Associação Comercial, nasceu o Rotary Clube de Sorocaba bem como a Associação Profissional do Comércio Varejista, depois transformada em Sindicato, que chegou a dividir espaço no Gabinete de Leitura e na sede da Rua da Penha. Muitas outras instituições tiveram suas reuniões iniciais de formação nas salas da ACSO.

A entidade sempre colaborou com instituições voltadas para a benemerência e foi agente de motivação de conquistas importantes.  A Exposição-Feira realizada na inauguração do novo Mercado Municipal, em 1938, por exemplo, foi organizada e realizada pela Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Sorocaba, ACIAS, um dos nomes assumidos pela entidade, hoje simplificada para ACSO - Associação Comercial de Sorocaba, mas que continua tendo espaço para empreendedores e empresários de todas os setores da atividade econômica. O prédio dos Correios, na esquina da Rua São Bento e Padre Luiz, nasceu depois de um trabalho da entidade para a liberação do terreno, além de sua inauguração.

  A galeria de ex-presidentes, instalada no saguão que antecede o salão nobre, reúne 32 fotos de líderes que colocaram sua experiência a serviço da Associação Comercial. Cada um, a seu modo e estilo, com seu grupo de diretores e conselheiros, colocou na entidade a sua expertise e esforço para que a ACSO chegasse aos 100 anos com estrutura e envergadura para continuar sendo fator de estímulo e de modernização do nosso comércio, espaço de convívio e troca de experiências.

É o trabalho coletivo e organizacional da entidade em busca da cooperação, do empreendedorismo e do associativismo. Um trabalho institucional, de gestão e de serviços oferecidos aos associados, que incluem Plano Médico, Clube de Compras, Certificação Digital, Certificado de Origem, Assessoria Jurídica, consultoria de marketing digital, eventos de negócios e de atualizações, campanhas e promoções, entre muitos outros.  Esses serviços, lá em 1922, começaram com a ajuda na criação de "firmas", escrituração de livros, orientações fiscais e trabalhistas. Hoje, a Associação continua fiel aos compromissos que a originaram: Estar sempre presente em favor da classe que representa.

  Os tempos são outros, os desafios são novos, o dinamismo impõe um ritmo mais acelerado para acompanhar as grandes transformações tecnológicas, com reflexos do mercado consumidor. Mas, na essência, a atividade comercial continua a mesma: Atender cada vez melhor os clientes, criar estímulos e encantamentos, preparar os profissionais para serem mais eficientes e as lojas para dominarem ferramentas capazes de garantir um melhor desempenho. Sem nunca perder algo fundamental: O calor humano. Que deve estar acima das máquinas, equipamentos e sistemas.

  Quem compra, quem vende e quem se relaciona são pessoas de carne, osso e sentimento. A tecnologia é apenas um facilitador. Por isso, a Associação Comercial está preparada para a modernidade. Mas sem perder de vista que a venda digital, o e-commerce e a loja física não podem sufocar a dimensão humana por trás do mundo dos negócios. Também esse novo tempo digital deve ser humanizado pelos sentimentos analógicos da emoção.

Que venham os próximos 100 anos!