Homenagem à Família Muraro
Celso Marvadão

Milton Muraro foi mais do que um comerciante e um empresário. Dono de invejável inteligência prática, tinha a capacidade de empreender e de perceber oportunidades de negócios. E foi assim, com vontade incomum de trabalho e perspicácia, que deixou seu nome gravado na Memória Viva do Comércio de Sorocaba, onde sempre viveu e onde investiu seu talento e recursos.

De origem humilde, filho de João Muraro e Cinira, nasceu aqui em 1939. Estudou na Escola Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, o nosso Estadão. Ainda menino, entregava, de bicicleta, carne para um açougue. Em seguida passou a vender relógios. Aos 17, comprou um carro usado e logo passou adiante com um bom lucro. Com o dinheiro foi a São Paulo e comprou relógios e alianças.

E não parou mais. Alugou um salão na rua Álvaro Soares já como dono de relojoaria. Em seguida, na mesma rua, criou em 1966 a loja Comercial Eletrolar, que se fundiu mais tarde com a Wanel (Wanderley + Nelson), dando origem à Eletrolar/Wanel, loja que ficou marcada no coração da cidade.

Era o início do Grupo Wanel, uma rede que chegou a ter 35 lojas, mais de 1.000 funcionários, entre outros empreendimentos de sucesso. Quem não se lembra da “lista de presentes” da Wanel? Da Wanel Joias? Do slogan “sempre presente na vida da gente”, frase publicitária que tive a felicidade de criar nos 30 anos da rede.

Um dia, Milton Muraro observou a antiga fazenda de eucaliptos dos Matarazzo, na zona oeste, e visualizou “uma nova cidade”, Wanel Ville, “lugar de gente feliz”. Vieram outros sucessos no ramo imobiliário: Edifício Torre Branca, Condomínio Millenium, participação do Condomínio Lago Azul, entre outros

Sua atuação também foi valiosa para a Associação Comercial de Sorocaba. Membro da diretoria, foi dele uma ideia, no final dos anos 70, que possibilitou dar andamento na construção da nova sede da entidade, na Rua da Penha, que substituía um antigo casarão que havia no mesmo ponto atual.

A Associação não tinha recursos para a obra. Milton sugeriu que os 13 bancos associados e as maiores empresas comerciais, industriais e agrícolas passassem a pagar um salário mínimo por mês. Valor muito mais alto do que a mensalidade comum. O temor de que haveria desistências não se confirmou. A Eletrolar/Wanel deu o exemplo: foi a primeira empresa a aderir ao novo valor. Com a iniciativa, a Associação Comercial melhorou o cadastro bancário, conseguiu tomar emprestados 250 mil cruzeiros junto à Caixa Federal e concluiu o mezanino e o primeiro andar da sede, contando também com o aumento da receita.

Milton sempre colocou sua liderança também a serviço da cidade, dando apoio ao Esporte Clube São Bento, por exemplo. Com o apoio da família, por 30 anos tomou conta do Lar Educandário Santo Agostinho, conhecida instituição assistencial de nossa cidade.

Casado com Valdelis, a união gerou quatro filhos: Salete, Telma e Tânia (esta falecida precocemente), que herdaram o dom de lidar com joias, e Milton Muraro Filho (Miltinho), que por mais de 20 anos teve a Anzu, referência nacional em casa noturna, entre outras iniciativas bem-sucedidas no mundo dos negócios e do comércio.

Com um lastro admirável de empreendedorismo comercial, Milton Muraro faleceu em abril de 2019, aos 79 anos, não sem antes preparar Miltinho para gerir e dar sequência aos seus negócios.

Era apaixonado pela família, por Sorocaba, pelos carrões, pelos amigos. Mantinha vários grupos deles: os do charuto, os do uísque, do vinho, do pôquer às quartas feiras. Viveu intensamente. Venceu desafios e marcou sua presença no comércio sorocabano. Virou referência de sucesso e está no coração da cidade. Junto com sua família, faz parte da Memória Viva do Comércio sorocabano e é merecedor desta homenagem da Associação Comercial de Sorocaba, no Dia do Comerciante.