O ator Pedrinho Salomão teve grande atuação também no comércio de Sorocaba
Celso Marvadão

Com seu cigarrinho de palha, Pedro Salomão José (Pedrinho) era um tipo marcante, chamava naturalmente a atenção pela sua teatralidade, comicidade, mesmo quando fora dos palcos.

O que poucos lembram é que ele, além de grande ator, diretor de teatro, empreendedor cultural, presidente do Clube União Recreativo, idealizador do Recreativo Campestre, promotor de grandes bailes, shows e festas, foi também comerciante do ramo de tecidos por perto de 30 anos, seguindo a tradição da família.

Quando Pedrinho nasceu, em 19 de janeiro de 1931, seus pais (Salomão José e Júlia José) tinham uma loja de tecidos construída na parte de frente da casa da família, na rua Souza Pereira, 206, em frente ao Largo do Canhão, ao lado da Escola Visconde de Porto Seguro, como lembram Elias Jammal Neto e Fariza Jamal Makhoul, ambos sobrinhos de Pedro.

Pedrinho (caçula) e seus irmãos (Alice e Jorge José, o “Jijo”) foram praticamente criados dentro da loja, que se chamava "São Bento" e tinha um letreiro enorme na fachada. A loja era também popularmente conhecida como “Depósito do Salomão”.

O jornalista Fábio Jammal, sobrinho-neto de Pedrinho, relata que as memórias mais antigas dele tinham como palco a loja. Sempre contava que, quando pequeno, dormia numa cama improvisada embaixo do balcão, enquanto seus pais trabalhavam. Também lembrava que era embaixo desse balcão que sua mãe o amamentava (ele mamou no peito até os 6 anos).

Salomão e Júlia se aposentaram no final da década de 1940, quando fecharam a loja. Em 1951, Pedrinho casou-se com a namorada de infância, Hermogenea Duarte (Geninha), e decidiu trabalhar, já que não podia viver só do teatro.

Assim que se casou, começou a vender tecidos, igual ao pai, mas no atacado. Viajava pelo Estado de São Paulo e para o Paraná, vendendo sua mercadoria.

No final da década de 1950, ficou sócio do irmão Jijo e, juntos, abriram uma loja física, justamente no local em que existiu a loja do pai, na Souza Pereira.

A sociedade durou até o final dos anos 1960. Os irmãos fecharam a loja, mas Pedrinho continuou no ramo.

Além de vender tecidos no atacado, abriu uma confecção para comercializar "roupas feitas". Thomaz Cortez, que foi seu funcionário, lembra que num barracão da rua Brigadeiro Tobias chegou a produzir blusinhas de cacharrel, tipo de tecido que ele comercializava no atacado. Vendia também brim para produção de calças jeans e chegou a montar a Indústria e Comércio de Tecidos GP (Geninha e Pedro).

O negócio funcionou em vários endereços, até que ele decidiu construir um prédio nos fundos de sua casa (na rua Capitão José Dias, 195) para abrigar definitivamente sua empresa, que só fechou as portas no final dos anos 1970.

Pedro Salomão José teve intensa vida artística em Sorocaba. Fez teatro desde os 12 anos. Participou de filmes. Ganhou por três vezes o Prêmio Governador do Estado em festivais de teatro, um deles pela sua atuação na peça Júlio César, de Shakespeare. Foi chefe do Serviço de Difusão Cultural da Prefeitura.

Pedrinho poderia ter seguido carreira de sucesso como ator nacional. Mas preferiu continuar em Sorocaba, envolvido em múltiplas atividades culturais e comerciais. Ele tinha grande identificação com a cidade, amava Sorocaba.

Fotos:

Pedrinho Salomão e o seu “pito” de palha (foto Edeson Souza); com seu irmão Jorge José (Jijo); e com Alice, seu marido Karim Jammal, Júlia, o menino Pedrinho e o pai Salomão com Jijo (Fotos arquivo familiar)