Início do comércio em Votorantim
Celso Marvadão

Antes que o Grupo União e depois Antônio Pereira Inácio lançassem suas unidades industriais, Votorantim teve beneficiadora de algodão de Porfírio José Machado junto à cachoeira da Chave, bem como moinho movido a roda d’água para produção de farinha de milho.

Mas o comércio propriamente estabelecido teve início no antigo caminho das tropas, depois chamado de rua do Comércio e hoje avenida 31 de Março, com duas pistas, inaugurada em 1971, principal corredor de lojas da cidade, como mostra a foto de hoje.

Neste quadro do pintor Ettore Marangoni é reproduzida a situação inicial da ocupação comercial do local. No fundo, saída para Piedade, a primeira construção é da família de José Ferrarese, a terceira pertenceu a Luiz Cosmin (Gijo), o primeiro sapateiro de Votorantim, seguida do pouso de tropeiro de José Ferrarese.

José Ferrarese chegou da Itália em 1890, foi gerente da olaria que existia junto à vila industrial e que pertencia ao Banco União. Ela produziu os tijolos usados na construção da primeira fábrica de tecidos e das vilas operárias da Chave e da Barra Funda.

A neta Virginia Elizabeth Pelizer Franco Pinto conta que seu avô materno chegou a Votorantim “com um grupo de italianos, alguns engenheiros ingleses e alguns funcionários do Banco União. Só encontraram a mata nativa e foram ajudados por alguns moradores do campo do Itapeva, onde fizeram ranchos de sapê para se abrigar”. Depois foram trabalhar na olaria.

Nas primeiras décadas do século 20, José adquiriu área na rua do Comércio onde a família teve pouso de tropeiro, açougue, armazém e depois farmácia. “Os tropeiros vinham de Piedade e redondezas com porcos, frangos e produtos agrícolas, vendiam desses produtos a meu avô e outros comerciantes de Votorantim, dormiam no pouso e partiam para Sorocaba a fim de vender o restante dos produtos no Mercado Municipal”.

“Meu avô teve, na década de 1930, até 1945, um laranjal, nos tempos do sucesso desse plantio em nossa região. Vendeu muita laranja para ser exportada para a Inglaterra, através dos exportadores Cocozza e Archilla. O laranjal começava atrás das casas situadas na rua do Comércio e abrangia quase todo o bairro atual do Parque Bela Vista. Esse laranjal acabou com o aparecimento do cancro cítrico”

Giovanni Pelizer, pai de Virginia, plantou muito algodão, na década de 1930, nas redondezas do Parque do Matão, para fornecer às tecelagens. Nas décadas de 1940 e 1950, teve uma granja de gado leiteiro holandês, no terreno onde antes ficavam o laranjal e as plantações de algodão, e abastecia de leite boa parte de Votorantim, principalmente os bairros da Chave e da Barra Funda, além de distribuir para a Cooperativa de Laticínios de Sorocaba (COLASO) da qual era cooperado. Foi o primeiro criador de gado a adotar a inseminação artificial em Votorantim e um dos primeiros da região de Sorocaba..Essa granja depois foi vendida para Matheus Conegero.

Virginia lembra ainda que sua tia, Irma Ferrarese, teve farmácia que ficava, incialmente, onde hoje é o posto de gasolina, em frente ao Banco do Brasil, mas que depois mudou para o endereço da atual Farmácia São José. “Minha avó materna era da família Salvestro. Seu irmão, Ermínio Salvesrro, teve um armazém na rua do Comércio, em frente à antiga entrada do Campo do Savóia”.