Registros da vida interna da ACSO nos anos 30
Celso Marvadão

Atas de reuniões da diretoria da Associação Comercial dos anos 30 registram realizações, decisões e fatos do cotidiano da entidade.

Ao longo da década, são vários registros de reclamações e pedidos de intervenção da entidade junto à Prefeitura, à Câmara, à Fiscalização e a Polícia contra o transtorno causado pelos vendedores ambulantes, camelôs e também por comerciantes que se colocavam em frente de suas casas agenciando mercadorias. Um problema recorrente que perdura até os nossos dias.

A pedido da Prefeitura, a entidade se manifestou contra até o funcionamento de um serviço de alto-falante que funcionava na praça central.

Em 1935, houve um momento crítico. O pedido de renúncia do presidente Pereira da Rocha. Não aceito pela assembleia.

A diretoria foi a favor da proibição do fornecimento de moinhos aos comerciantes pelos torradores de café do convênio estabelecido.

Em 1938, a Associação contava com um chefe, dois auxiliares, um mensageiro, um zelador, um auxiliar de tesouraria e ainda com os serviços do jornalista Francisco Camargo César (Cecê), que mereceu elogiou em ata. O jornal O Commercio, editorado pela tipografia e Livraria Cidade de Sorocaba, era o órgão “oficioso” de comunicação.

O advogado e vereador Dr. Affonso Pereira de Campos Vergueiro fazia o seu trabalho graciosamente. No período, a assessoria jurídica somava 354 consultas fiscais, 240 defesas, 483 requerimentos, 334 cartas em defesa de comerciantes e 914 livros organizados de acordo com as leis fiscais.

A Associação fez donativos “em espécie” para as vítimas do terremoto no Chile, junto com a Associação Comercial de São Paulo, catástrofe com mais de 30 mil mortes. Realizou também campanha em favor do “Asylo de Orphãs Santo Agostinho”, até hoje existente em Sorocaba.

A ACIS deu apoio à instalação no município de Caixa do recém-criado Instituto de Aposentaria e Pensões dos Comerciais (IAPC).

Um almoço festivo homenageou o associado Comendador Antônio Pereira Inácio, que representou o Brasil na Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra.

Naquele período, a Associação Comercial também recebeu, em nome da cidade, agradecimento da Bolsa de Mercadorias de São Paulo pela realização da festa do algodão, com votos para que Sorocaba “continue mantendo o lugar que ocupa entre os vanguardeiros da cultura e indústria do ouro branco em nosso estado”.

A década de 1930 terminou com duas notícias tristes. O falecimento (em 1938) de Antônio Marques Flores, um dos fundadores da Associação, e do assessor jurídico, Dr. Affonso Vergueiro. No dia 26 de junho de 1939, Affonso voltava com familiares de uma festa de São João realizada da Fazenda Cajuru e seu carro foi colhido por um trem, a três quilômetros de Sorocaba. Só ele faleceu. Dr. Affonso Vergueiro foi quem preparou toda a documentação do terreno da antiga Casa da Câmara e Cadeia, pertencente à União, destinado à construção do novo prédio dos Correios de Sorocaba, inaugurado naquele ano, na esquina das ruas São Bento e Padre Luiz. O advogado da Associação Comercial da época deu nome à avenida Affonso Vergueiro.

(Fotos do advogado e vereador Affonso Vergueiro, de Antônio Marques Flores, um dos fundadores da Associação Comercial, e do ambiente interno do Gabinete de Leitura Sorocabano, onde a ACSO estava instalada, nos anos 30.