A história da Rua dos Morros
Celso Marvadão

Por que a atual rua Cel. Nogueira Padilha ainda é chamada de Rua dos Morros? Essa é fácil. Porque é o caminho do Bairro dos Morros, na direção de Votorantim, especialmente do Morro do Garrido e do Morro da Mariquinha. Esse caminho era também chamado de Estrada dos Morros, Estrada do Rio-Acima, Estrada de Votorantim (a rua Campos Salles também era assim chamada).

Sim, a Rua dos Morros é reduto da colônia espanhola. Seria por isso que um trecho do corredor é chamado de rua e o outro de avenida? Eheh.

A região da margem esquerda da Cel. Nogueira Padilha, no início, junto à avenida São Paulo,era chamada de Jardim São Domingos, mas toda aquela zona da cidade, até a Santa Casa, levava no mapa o nome de bairro Santa Maria. Seria por isso que a indústria de tecidos que se instalou na Vila Hortência foi batizada como Fábrica Santa Maria?

O Morro do Garrido tem esse nome por causa da Chácara dos Garrido, família espanhola que plantava laranja e cebola, na atual Parada do Alto. A referência familiar para o nome é Maria Garrido Ferrer, casada com Antônio Dias Lopes.

O trem da Estrada de Ferro Votorantim fazia parada na chácara para atender especialmente à família. No Morro do Garrido aconteciam as encenações da Paixão de Cristo.

A propriedade ficava no eixo da rua Venezuela e junto à Raposo Tavares (variante externa). O morro, referência na paisagem, foi sumindo com o tempo por causa da retirada de terra. Mais recentemente, perdeu bastante do seu volume topográfico pelas obras da marginal da Raposo Tavares, ali onde existe um viaduto, ponto em que a avenida Octávio Augusto Rangel (Votorantim) faz conexão com a rua Venezuela.

Próximo do Morro do Garrido se encontra o Morro da Mariquinha, homenagem a Maria Martins Norcross (Dona Mariquinha), filha de José Martins da Costa Passos, casada com o inglês Ernesto Norcross.

O acidente geográfico recepciona as vilas João Romão e Sabiá, perto da Vila Colorau (tem esse nome porque ali vivia e criava gado Tomaz Sanches Artero, um espanhol de rosto vermelho como o colorau, daí o apelido). O morro tem no alto uma caixa d’água que parece um disco-voador. Por coincidência, foi o ponto em que, em 1979, apareceram luzes estranhas no céu, atraindo muita gente, inclusive ufólogos de todo o Brasil.

A abertura definitiva da Variante da Raposo Tavares, no início dos anos 60, entre esses dois morros vizinhos e, antes disso, a linha férrea Sorocaba-Votorantim, foram fatores decisivos para a ocupação desta região do Além-Ponte. A variante foi também determinante para a expansão urbana de Sorocaba para os lados do Campolim.

Fotos do Morro da Mariquinha: jornal Cruzeiro do Sul. Fotos do Morro do Garrido e outros ao fundo, na cena da enchente de 1929, do Museu Histórico Sorocabano. No mapa antigo, aparece a Chácara Garrido como referência do percurso da linha férrea.

Foto:
Enchente de 1929 e os "morros" no horizonte. Morro da Mariquinha, com sua caixa d'água, local de "aparição" de óvnis, em 1979, que atraiu muita gente.