Esquina Braguinha - Maylasky: Memória viva do nosso comércio!
Celso Marvadão

Abrigar a Emissora Vanguarda (foto) por muitos anos foi uma das ocupações deste velho casarão da esquina das ruas Maylasky e Dr. Braguinha, no centro de Sorocaba.

No local, hoje se encontra o Edifício Sophia Cheda (foto), mas antes da rádio esse ponto foi sede de várias atividades comerciais e de prestação de serviços. A Vanguarda chegou a ocupar depois dois andares do Edifício da Caixa Econômica Estadual, logo acima na praça, antes de construir sua sede atual no bairro de Santa Rosália.

A Rua Maylasky já foi chamada da Rua da Quitanda, porque ali havia esse tipo de comércio então pertencente a Matheus Maylasky, fundador da Sorocabana. Consta que ele inicialmente teve nesta rua uma descaroçadora de algodão, ou algo assim. O Gabinete de Leitura teve início nesta esquina, que foi também residência do fundador da ferrovia.

Antes da quitanda, ficaram famosas no centro as “casinhas” da Rua Barão do Rio Branco (rua do Comércio). Nas casinhas eram vendidos produtos da roça, inclusive carne. Só depois tivemos o Mercado Municipal, que começou como açougue e depois ficou maior, até a construção do atual prédio em 1938.

É impressionante a relação afetiva que Sorocaba tem com seus espaços de comércio e serviço. Postei a foto do prédio com a fachada da Emissora Vanguarda na minha página no Facebook e foi grande a repercussão. Lembraram até que no prédio teve a Farmácia Leão(foto) e o consultório do Dr. Humberto Reale (foto), que depois deu nome ao estádio do São Bento, na rua dos Morros (hoje rua Coronel Nogueira Padilha).

Célio Hermelindo do Monte falou da Drogasil e do bar Vanguarda, de Edson Fabri, que depois foi vendedor das Lojas Ultramar e gerente da Wendell Móveis, mais tarde fundador da Di Fabri Cortinas e Decorações.

Vicente Francisco Flório de Andrade lembrou que junto à fachada da rádio, numa eleição dos anos 60, um painel informava os números da apuração de uma eleição para prefeito de Sorocaba. Ele, ainda menino, acompanhou tudo ao lado do seu pai, parados na praça central.

Ramiro Junior diz que a foto “é uma preciosidade” porque fez com que lembrasse da Casa Teruz, “onde meu pai comprava minhas partituras”. Rogério Gonçalves disse que embaixo da Vanguarda funcionava o Bar do Gentil. Para Douglas Gomes, “o Gentil era uma gentileza em pessoa”. Rogério ainda tem na lembrança que no prédio ao lado, na outra esquina, ficava a Livraria Cidade, que pegou fogo.

E Sandro Aranha mandou-me algo precioso: o histórico de tudo o que já funcionou ou existiu no casarão ao longo do tempo, baseado em parte em artigo de Antônio Francisco Gaspar, publicado no jornal Cruzeiro do Sul em 1971. O artigo trata do início do local até virar residência de Matheus Maylasky.

Vale a pena voltar no tempo e acompanhar o histórico de Sandro:

“No térreo: Casa Hércules, do Hércules Tavares de Campos; Casa Tavares, do irmão Pedro Tavares. Depois, tiveram comércios lá: Gumercindo Gonçalves e Braz dos Santos; Farmácia do Povo, do Dr. Azevedo Sampaio; Farmácia Leão, de Aristides Leão; Farmácia Drogasil Limitada; loja de venda de carros.

No andar superior: sede de grupos dramáticos de amadores; consultório de Ovídeo Pires de Campos; consultório de Humberto Reale; Rádio Vanguarda.

Nos primeiros anos da fundação do Gabinete de Leitura, o presidente Luiz Matheus Maylasky ficou instalado nesse prédio; o sobrado, que era feito de taipa de pilão, sofreu uma grande avaria no período chuvoso de 1967, quando caiu parte de uma parede superior. Constatado o grau de deterioração do imóvel, foi sugerida a sua demolição. Foi feito um reparo e a Radio Vanguarda continuou no local até 1970. No início de 1971, o prédio começou a ser demolido. Em dezembro de 1972, inaugurou-se a construção do Edifício Sophia Cheda, que seria finalizada em meados de 1976”

Fotos: jornal Cruzeiro do Sul (fachada da Vanguarda) e do site Brasilbook.