Sorocoisas do comércio - Nosso jeito de falar e de negociar
Celso Marvadão

Em pesquisa especial para os 98 anos de vida da Associação Comercial, registramos aqui 98 "sorocoisas". Nosso jeito de comprar, vender, negociar e de se comportar no comércio. Nossos usos e costumes são divertidos.

NOSSO JEITO DE FALAR, DE VENDER, DE COMPRAR.

USOS E COSTUMES DO COMÉRCIO SOROCABANO.

Em comemoração aos 98 anos da Associação, selecionamos 98 “sorocoisas” especiais, que dizem respeito à atividade comercial em nossa cidade. São divertidas curiosidades que mostram o jeito de ser do sorocabano.1- Chamar empresa ou loja de “firma”. “Vou abrir uma firma”

2- Usar freguês ou “fregueis” no lugar de cliente.

3- Tratar mil reais como “um conto”, chamar dinheiro de “pila” ou “pelega”

4- Dizer que está “comprandinho” ou “olhandinho” os produtos.

5- Vendedora chamar cliente de querido, amor, jovem ou colega.

6- Usar loucura como apelo de venda. “Deu a louca no gerente”.

7- “O maior e o melhor da região” é frase muito usada.

8- “Um novo conceito em loja”, sempre tem alguém repetindo isso.

9- Colocar banca com ofertas na entrada da loja de varejo básico.

10- Ficar fuçando, apalpando ou beliscando os produtos expostos.

11- Começar a roer o torresmo antes de pesar, no restaurante por quilo.

12- Você ainda encontra “bolovo” e coxinha com o osso do frango. Coxinha é o salgadinho que mais sai em festa.

13- Você encontra bar com o aviso FIADO SÓ AMANHÃ.

14- Poste aqui é mídia para cartomante, curandeiro e leitor da sorte.

15- WC MÍDIA: sim, temos banheiros com anúncios na parede.

16- Adoramos a frase “A loja tal faz aniversário e quem ganha o presente é você”.

17- Mau pagador é “roleiro”, “embruião” ou “caloteiro”

18- Toda família tem pelo menos um vendedor de carro.

19- Você ainda encontra lanchonete com o aviso: “Precisamos de moça para suco”.

20- Música alta, locutor na porta e distribuição de bexigas são apelos comuns de venda.

21- Concorrente adora montar loja diante da que está fazendo sucesso.

22- “Venha correndo aproveitar”. Cliente aqui é maratonista.

23- Adoramos regatear, pechinchar ou “espingardear” (cliente pergunta um monte de coisas e não compra nada).

24- Ainda tem estabelecimento que vende “no picado”, em partes, em pedaços.

25- “É fumo de rolo” – a situação está difícil, complicada

26- Somos a cidade com mais trailer de “cachorrão” do interior.

27- “Fazer um rolo”: trocar uma coisa por outra, negociar.

28- Adoramos barganhar produtos. A Feira da Barganha faz o maior sucesso.

29- Desde o tempo dos tropeiros, somos a cidade das feiras. Temos feira todo dia, menos na segunda-feira.

30- “Que vá, vô levá, nem que vorte o cheque ou estoure o cartão”.

31- Os mais antigos ainda dizem: “Ponha na conta do Abreu, se ele não pagar, nem eu!”

32- “Chingueling”: produto popular e barato, de origem chinesa ou coreana.

33- Nosso centro tem tanta loja chinesa que já está sendo chamado de Chinatown.

34- Somos a capital do “Disk”. Tem disque de tudo, até Disque-Disque e Disk Bife a Cavalo.

35- Ainda tem gente que chama comercial de rádio de “reclame” ou “recrame”.

36- “Comprar uma fazenda”: um pano para roupa;

37- “Corte de tecido”: pedaço de pano suficiente para fazer uma peça

38- “Retalho” – sobra de um tecido, pedaço de ponta de estoque.

39- “Manequim da Ofebas”: moça esquisita, alta e magra.

40- Muitos outdoors têm tanta informação que o carro precisa parar para ler.

41- Adoramos botar preço nas coisas. “Quer déislão? Quer cinquentão?”. “Dou vintão”.

42- “É pegar ou largar”: última chance num negócio.

43- Ainda encontramos em poste aviso do tipo: “FIADOR” mais o celular.

44- “Ah, isso não é para Sorocaba”: resistência a modernidades.

45- Somos uma cidade “shoppinzeira”. Qualquer terreno grande vazio é área “boa para um shopping”.

46- Frase do nosso folclore: “Praia de sorocabano é shopping Center”.

47- “Quer, quer! Não quer, tem quem quer!”. Frase de estímulo na concorrência do amor.

48- “Temos melância e cocô”. Gostamos de colocar acento circunflexo onde não existe.

49- Somos viciados em colocar crase nas placas: “à partir de”, “à 100 m”, “de segunda à sábado”.

50- Gostamos de usar “rei” no comércio: “Rei do Pernil”, “Genésio, o Rei das Peças”, “O Rei das Batidas”.

51- Colocar “ão” no nome dos estabelecimentos: Mercadão, Feirão, Descontão, Varejão, Lajotão, Baleião, Venezianão.

52- Usamos carro de som com volume alto como se fosse trio-elétrico.

53- O inglês está no comércio: “50% off”, “sale”, “tower”, “outlet”, “network”

54- Cruzamentos e semáforos viraram pontos informais de venda. E de pedintes.

55- Usamos carrinhos de construção para vender frutas sem licença.

56- “Laçar” cliente na calçada, pedindo para “entrar e conhecer a loja”. Ou fazer “exame para óculos” e orçamento de tratamento dentário.

57- Ainda tem lojas que vendem na caderneta (“cardeneta”). E outras que “só a dinheiro”, nada de cheque ou cartão.

58- Chamamos décimo terceiro de “abono de Natal”.

59- Pessoa que não gosta de gastar é mão-de-vaca, muquirana, unha-de-fome.

60- Usamos “pegar” como sinônimo de gastar. “Pegue lá na padaria pra mim”.

61- “Biboca” ou “birosca”: estabelecimento não muito confiável.

62- “Fazer um biscate”: um trabalho quebra-galho, serviço temporário, bico.

63- “Sujo na praça” – devendo no comércio, protestado.

64- “Mais sujo que pau de galinheiro” – muito mal falado na cidade.

65- Fazer a “compra do mês”: compra grande, não a “comprinha no picado”.

66- “Fazer um chuncho”: maracutaia, cambalacho, negócio duvidoso.

67- “Nó cego”: sujeito embrulhão, mau pagador.

68- “Dá nó em pingo d’água”: muito esperto, estelionatário

69- “Esse aí vende até a mãe”: faz qualquer negócio para se dar bem.

70- “Velhaco/veiaco”: sujeito enganador, que leva os outros no bico.

71- “Mistura”: o tipo a carne servida no almoço ou na janta.

72- “De à meia”: fazer um negócio metade-metade para cada um.

73- “Dinheiro de pinga”: barato, pouca coisa.

74- “Do que tem não falta nada”: escassez de produtos ou alimentos. Viver com pouco.

75- “É dois palito”: é pra já, rápido.

76- “Enfronhado no negócio”: está por dentro, conhece o assunto, a atividade econômica.

77- “Produto especial de bom”: muito bom, garantido. “Barbaridade de bom”.

78- “Furá o zóio”: enganar ou atravessar no negócio, lograr o amigo, não cumprir o prometido.

79- “Esconder o leite”: fazer-se de desentendido, disfarçar.

80- “Trucar de beiço”: fingir que tem dinheiro, contar vantagens.

81- Feira Livre: nome que se dá aqui à feira de rua.

82- “Furão”: sujeito que promete e não cumpre.

83- “Bufunfa”: dinheiro, verba.

84- “Galinha morta”: negócio bom, pechincha.

85- “Igrejinha”, “panelinha”: grupo de amigos que se protegem num negócio ou interesse comum.

86- “Levei fumo” ou “levei um pialo”: fui mal numa negociação, fui enganado.

87- “Largo”: sujeito de sorte, rabudo. Aqui também é sinônimo de praça.

88- “Maiadinho”: carro muito usado, de pouco valor.

89- “Voltei sapateiro”: não vendi nada.

90- “Féria do dia”: dinheiro vivo arrecadado no dia com as vendas da banca.

91- “Tá numa merda que dá gosto”: em dificuldades financeiras.

92- “Passar o chamegão”: assinar o contrato ou documento.

93- “Pedir pinico” e “abrir as pernas”: pedir ajuda, quando vai mal das pernas no negócio.

94- “Na maior pindaíba”: falido.

95- “Roer a corda”: não cumprir com o prometido.

96- “Tirar o pé da lama”: sair da miséria, dar-se bem.

97- É comum encontrarmos placas com “Passo o ponto” ou “Sob nova direção”.

98- Ver fotos de lojas antigas e morrer de saudade. Sorocabano tem carinho pelo nosso comércio.