Agência estimula companhias verdes
12/3/2010
Ricardo Osman
A Agência de Fomento Paulista Nossa Caixa Desenvolvimento, ligada à Secretaria Estadual da Fazenda, completou ontem um ano de existência. E essa a festa de aniversário tem um significado especial, marcando uma nova etapa na atuação do órgão na concessão de financiamentos.
Criada com o objetivo de apoiar as pequenas e médias empresas do estado, oferecendo crédito
a juros baixos, a agência concentrou-se, inicialmente, nas linhas de financiamento de capital de
giro. Doze meses depois, ela anuncia que reforçará as linhas de crédito para empresas que
planejam aumentar a produção – com a aquisição de máquinas e equipamentos, por exemplo.
Uma dessas linhas especiais é a Economia Verde, voltada para companhias que atuem na
promoção do desenvolvimento sustentável.
Novo momento – A mudança na atuação do órgão tem uma razão simples: atender a
necessidade do mercado. "A agência foi criada no início de 2009, em plena crise financeira
internacional. Naquela ocasião, direcionamos a ajuda às empresas oferecendo crédito para
capital de giro", disse Milton Luiz de Melo Santos, presidente da Nossa Caixa Desenvolvimento. O
produto atendia exigências das empresas na época, muitas delas com dificuldades para fechar as
contas no final do mês.
"Agora a situação é diferente. A economia recuperou a normalidade, e agora podemos nos voltar
para o financiamento dos setores produtivos e para os projetos que visam aumentar a produção
das empresas e incorporar novas tecnologias", acrescentou Santos.
Balanço – No primeiro ano, a agência de fomento do governo do Estado concedeu crédito no
valor de R$ 170 milhões a 155 empresas. Deste montante, R$ 47 milhões já foram
desembolsados.
As empresas estão dentro do perfil exigido pelo órgão, com faturamento anual entre R$ 240 mil
e R$ 100 milhões. Por não ser um banco comercial, não há necessidade de abertura de conta ou
de contrapartida da empresa.
O presidente da Nossa Caixa Desenvolvimento buscou, nessa etapa inicial, montar uma rede de
relacionamento da agência com diversos parceiros – como associações e entidades de classe –
para conseguir apresentar suas linhas de financiamento às pequenas e médias empresas. Santos
estima que 36 mil empresas do Estado são potenciais clientes da Agência de Fomento Paulista.
Neste sentido, foram firmados 25 convênios com entidades como a Associação Comercial de São
Paulo (ACSP) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "No primeiro ano,
montamos esse sistema como alternativa para chegarmos às empresas, já que não temos
agências espalhadas pelo estado como um banco", afirmou.
No balanço do ano, outro ponto positivo destacado foi a inauguração, no início deste mês de
março, de um posto de informações da agência na região do ABC. A iniciativa é fruto de um
acordo firmado com a Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC.
Sustentabilidade
Na tarde da próxima segunda-feira (15), um seminário sobre mudanças climáticas, a ser
realizado a partir das 13 horas no auditório do Parque do Ibirapuera, marcará o lançamento de
uma nova linha de financiamento da Agência de Fomento Paulista: a Economia Verde, com
promessa de juros abaixo do mercado.
Com esse pacote, a agência entra de vez na tendência mundial de favorecer empresas que
buscam o desenvolvimento sustentável. A linha de financiamento vai se voltar para empresas
que, por meio de obras ou novas tecnologias, pretendam crescer e reduzir as emissões de gases
responsáveis pelo efeito estufa.
A presença crescente de gás carbônico e metano na atmosfera retém o calor irradiado pela
Terra – o que provoca, entre outras coisas, o aquecimento global.
Participarão do seminário o economista Ignacy Sachs, o professor José Goldemberg, do Instituto
de Eletroeletrônica da Universidade de São Paulo (USP), e o secretário do Fórum Paulista de
Mudanças Climáticas e Biodiversidade, Fabio Feldmann.
Fonte:DComércio
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