
Pioneirismo de Votorantim e Alumínio na produção de cimento
Celso Marvadão
Para construir a represa e a usina de Itupararanga, entre 1911 e 1914, o consórcio anglo-canadense Light and Power trouxe para Votorantim (então Sorocaba) estruturas de aço, equipamentos, turbinas dos Estados Unidos e da Europa. O cimento veio em barricas de madeira da ilha de Portland, na Inglaterra.
Não havia ainda a produção de cimento no Brasil. Curiosamente, 20 anos depois, próximo da famosa represa da Serra de São Francisco, o Grupo Votorantim construiu, em Santa Helena, a Fábrica de Cimento Votoran.
A região sempre foi rica em calcário e argila, principais ingredientes usados para a produção do cimento, após passarem por fornos de alta temperatura.
Já no final do século XIX e início do anos 1900, o coronel Antônio Proost Rodovalho produziu aglomerantes hidráulicos, um pó semelhante ao cimento, na fazenda Santo Antônio, na Serra de São Francisco, onde hoje se encontra Alumínio. Ali, a Estrada de Ferro Sorocabana chegou a ter a estação Rodovalho, junto à fábrica de cimento então chamada de Brasil.
Mais tarde, Antônio Pereira Inácio, fundador do Grupo Votorantim, comprou a empresa que passou a chamar-se Fábrica de Cimento Rodovalho, onde também mantinha caieiras e olaria. A Usina de Pilar, montada por Pereira Inácio junto à Fábrica de Tecidos Votorantim, chegou a mandar energia elétrica para mover a produção em Rodovalho.
O cimento produzido ali, na década de 1920, já vinha com o nome de Portland (tipo de cimento), como mostra o material de divulgação da época. Um pioneirismo da região.
Em 1936, Antônio Pereira Inácio e seu genro José Ermírio de Moraes encerraram a fábrica de Rodovalho (que chegou a produzir vidro) e montaram a Fábrica de Cimento Votoran.
O primeiro grande contrato da nova indústria foi com a Prefeitura de São Paulo, em 1938, quando da reconstrução dos 204 metros do Viaduto do Chá. Tem cimento Votoran num dos símbolos da cidade de São Paulo. As colunas do teatro Municipal da capital, inaugurado em 1911, também têm mármore extraído das jazidas de Itupararanga.
Está muito presente na memória dos sorocabanos ver uma nuvem de poeira cinzenta no horizonte da Serra de São Francisco, saída dos fornos da fábrica de cimento.
As fotos da fábrica e da barrica de cimento Rodovalho são do projeto Memória do Grupo Votorantim. A da estação ferroviária de Rodovalho, de 1918, é do site São Paulo Antiga.