Jardim Bolacha e Cia em Votorantim
Celso Marvadão

Houve um tempo em que a vida comercial e social de Votorantim acontecia diante da Fábrica de Tecidos, ao redor da rua Lacerda Franco, no Jardim Bolacha, nome popular adotado porque o canteiro central parecia uma bolacha Maria.

Ficou famoso ali o Bar do Arcuri, o Bar Votorantim, que aparece na foto. O local também chegou a ser chamado de Largo da Venda Grande, o armazém da indústria que abastecia as famílias (a compra era descontada no pagamento). Ficou famosa também a “loja da fábrica”, onde a vila comprava tecidos produzidos pela Votorantim.

Compunha o cenário também a estação do trem de passageiros (bondinho Votorantim-Sorocaba) ou com vagões de carga.

Nesta praça ficava a igreja de São João Batista, que veio abaixo na enchente de 1982, cujo modelo Antônio Pereira Inácio trouxe da cidade portuguesa de Baltar.

Foi junto à igreja que a festa junina de Votorantim teve início, com montagem de barracas e a elevação do mastro num tronco de eucalipto.

A antiga praça tinha coreto e muito verde, espaço cuidado pelo jardineiro Lélio Gavioli. Por ali existia uma pontinha sobre desvio do rio Sorocaba que levava até o salão de baile do Clube Atlético Votorantim e o cinema, gerenciado por Orlando Beranger.

Após a missa, acontecia também o “footing” das moças e rapazes namoradores. As marmitas que vinham em vagão especial de Sorocaba eram entregues nessa praça. Na hora do almoço ou final da tarde, a moçada da fábrica ou da vila tomava no suas biritas ou cervejas no Bar do Arcuri, ponto de encontro.

Na praça da Bolacha ficavam o cartório, a delegacia, o correio e outras instalações públicas, num tempo em que a vida da vila industrial dependia da fábrica. Só depois é que a rua do Comércio, atual avenida 31 de Março, ganhou corpo.

Fotos tiradas por Antônio Gaviolli. A pintura que dá uma visão geral do ambiente é de Ettore Marangoni